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Quando se é autor independente, a coisa mais fácil é listar os motivos para o porquê de sua carreira não deslanchar. Basta dar uma passadinha em qualquer grupo de autores no Facebook para constatar.

Ou são as editoras “malvadas e inescrupulosas” que não investem em autores nacionais, talvez o bicho papão das obras estrangeiras que devoram todo nosso mercado deixando meras migalhas para nossos autores. Ou quem sabe o problema de um público condicionado, que não é capaz de reconhecer a sua “genialidade” enquanto autor.

Vai por mim, o que não falta é criatividade na hora do chororô.

Mas, antes que você engatilhe o dedo de xingar muito nos comentários, deixe-me dizer: Sim, eu sei que obstáculos para a carreira de um autor iniciante/independente existem aos montes (se não, eu não teria montado esse blog). Como dizem alguns de meus conterrâneos “O baguiu é doido”.

Porém, um detalhe que sempre me causa estranheza nessa coisa toda, é que no meio desse oceano de textões de autores “injustiçados”, nunca ouvi nenhum deles citar aquele que talvez seja o maior inimigo do autor independente:

Ele mesmo.

Você não leu errado. Muitas vezes você é o pior inimigo de sua produção literária, e o pior, está muito bem equipado nessa missão infame de boicotar a si mesmo.

O autor que se sabota tem nas mãos diversas ferramentas para a tarefa de foder com a sua produção literária, e por tabela, sua carreira.

Essas ferramentas do mal se apresentam na forma de hábitos e ações negativas, que muitas vezes parecem inofensivas, mas que a longo prazo podem realmente destruir seu sonho de ser escritor.
Quer saber quais são esses hábitos nocivos e destruidores de carreiras?

Então, continue lendo esse artigo para conhecer 4 hábitos inimigos de sua produção literária e como evita-los.

Nesse artigo você aprenderá sobre:
Procrastinação
Ego e carreira
Produção e ambiente de trabalho

1 - ADIAR E DISTRAIR

Procrastinar, a palavra profana, o bicho papão que assusta produtores de conteúdo de todas as mídias em todas as partes do globo. Mas, o que é isso, afinal? Vamos a uma situação hipotética para melhor compreender:

Agora é a hora. Estão só você, sua ideia genial e a tela em branco do PC. Está tudo pronto para você começar a escrever o novo sucesso editorial Brasileiro. Surge, então, um vídeo interessante na sua timeline. Ah, não há problema em ver rapidinho e voltar para o texto depois. Você ainda tem tempo, certo? Aí, você vê só mais um, depois outro e resolve postar no face junto com uma frase engraçada e esperar a primeira curtida.

Surgem coisas e mais coisas, afinal, você é muito popular e adora receber comentários nas coisas que posta. Já que o trem está andando, não custa nada dar uma checada no Zap, no insta, no seu e-mail e no resto de suas trocentas mídias sociais.

O único problema é que quando isso acado e você se dá conta, passaram-se horas e você não escreveu mais que um paragrafo. A essa altura você já está fatigado, talvez com sono e sem o menor ânimo para continuar, e resolve adiar a produção para o outro dia, quem sabe.

Isso é procrastinar, Jovem.

Segundo Tim Pychlyl, psicólogo da Universidade do Canadá, a procrastinação, ou mania de adiar uma ação ou tarefa é um problema comum em nossa geração, afetando fortemente estudantes, acadêmicos, e claro, nós, escritores.

Quando procrastina, o individuo está tentando melhorar seu estado de animo, evitando fazer alguma ação ou tarefa que lhe parece desagradável ou pouco prazerosa, buscando atividades mais fáceis, ou de satisfação imediata.

O ato de procrastinar tem forte impacto negativo na vida emocional e financeira, em muitos casos. Quem adia tarefas necessárias tende a sentir-se desmotivado a continuar em frente em seu objetivo, sempre a procurar um pouco de satisfação momentânea antes de finalmente cumprir determinada tarefa considerada enfadonha (mas que lhe traria resultados a longo prazo). Como resultado, o produtor pode se sentir culpado por não ser tão produtivo quanto queria, ligando diretamente sua falta de êxito a esse comportamento nocivo. Em casos mais graves, a procrastinação pode levar até à quadros de depressão.

A procrastinação é mais comum em pessoas impulsivas, com medo do fracasso ou facilmente influenciáveis por opiniões de terceiros. Leia mais sobre o impacto da impulsividade em sua carreira no artigo “Impulsividade e as ciladas que você mesmo cria”.

Procrastinar é considerado por estudiosos um mal tão comum à nossa sociedade atual quanto à depressão. Felizmente, ela não é igualmente tão grave e pode ser tratada de maneira mais fácil e direta. Gurus da psicologia focada no hábito de adiar listam em seus estudos algumas dicas de como combater a procrastinação e aumentar sua produtividade.

Separei para você algumas que funcionam comigo. Vamos à elas:

  • 1 – Encontre em seu dia o momento mais propício para sua produção.
    Aqui você procura aquela hora em que você se sente mais inspirado, e com mais gás para produzir e focar na produção. Todos tem esse momento em seu dia, basta encontrá-lo e, caso nunca encontre em seu dia o momento certo, com o silencio adequado e tudo mais, crie tal momento em seu dia.

  • 2 ­– Quebre o tempo e as tarefas.
    Aqui você tenta dividir tanto o tempo quanto as tarefas em pequenos blocos mais fáceis de serem concluídos. Para isso eu uso o método pomodoro, que me permite programar meu tempo em porções menores onde posso me concentrar mais na tarefa a ser feita, intercalado por pequenos intervalos regulares. Falarei mais sobre esse método em outro artigo.
  • 3 – Recompensas e castigos.Aqui, você tenta se dar pequenas recompensas para cada meta cumprida, não importa se grande ou pequena. Exemplo: Se eu conseguir escrever 500 palavras sobre esse artigo poderei ver aquele vídeo novo daquele youtuber que saiu, ou poderei comer um pouco daquele sorvete que está na geladeira. Caso você não consiga cumprir o que se propôs, basta negar a si mesmo essas recompensas. Vamos, você consegue!

2 -EGO E NECESSIDADE DE TAPINHAS NAS COSTAS

Você está empolgadão escrevendo aquele artigo, texto literário ou roteiro, então você para e diz pra si mesmo: “caraca, essa parte ficou foda. Vou ter que postar”. Daí você vai todo pimpão e posta em seu face/twitter ou sei lá o que. Espera alguns minutos, e nada de ninguém curtir. Mais alguns minutos, até horas, e você não consegue se concentrar mais no texto que está produzindo, e abre compulsivamente a aba do face na busca por aquela curtida. Você só consegue pensar no porquê as malditas curtidas não veem.

A essa altura, você perdeu a empolgação com o que estava produzindo, por dois motivos, aquele tapinha nas costas não veio, e o tempo que você levou verificando e atualizando o seu face procurando curtidas foi um tremendo desperdício. Você fecha o projeto e vai fazer qualquer outra coisa.

E ai, se identificou? Creio que s,im. Isso é o nosso querido amigo ego, mancomunado com o desejo de recompensas imediatas (leia mais sobre isso no artigo sobre ciladas que nós mesmos produzindo para nossa carreira). Esse hábito  também poderia estar incluído na procrastinação, mas acho que ele precisa mesmo de uma atenção especial.

Quando você está no meio de uma produção, quer dizer que você não tem um produto sólido para sair mostrando. Você precisa lutar contra o impulso de mostrar seus projetos antes deles estarem devidamente finalizados. Seja um atleta, artista, ou seja lá o que for, nenhum deles mostra seu trabalho no meio, todos guardam para o público o resultado de muito esforço e aperfeiçoamento, então, por que você, como escritor, vai se dedicar a ficar queimando seu filme mostrando partes dos seus “ensaios” quando poderia guardar para sua plateia o resultado final, trabalhado, e devidamente refinado? Vamos pensar um pouco nisso e banir de vez o facebook de nossa produção?

Para isso, tenho duas dicas que funcionam comigo.

  • 1 – Se afastar o máximo possível desse poço sem fundo da produção que são as mídias sociais. Eu consigo simplesmente não abrir nenhuma enquanto produzo, mas existem também aplicativos de bloqueio que lhe ajudam nessa tarefa. Breve faço um artigo a respeito também.


  • 2 – Sentir o gosto de finalizar.
    Eu sei que falar em finalizar um projeto em um artigo sobre procrastinar e etc. parece meio absurdo. Mas, vai por mim, finalizar projetos é uma sensação ótima quanto mais você tem, mais você quer.

3 - EXCESSO DE ZELO OU DESLEIXO TOTAL

Excesso de zelo
Tá certo que você deve trabalhar muito seu produto (sim, seu livro é um produto) antes de soltá-lo para mundo. Mas, essa máxima só funciona se você obedecer também a ultima parte, que fala sobre soltá-lo para o mundo. Muitos autores possuem um forte senso de autocrítica, que muitas vezes extrapola o nível sadio.

O que acontece é que ao fim (alguns as vezes nem conseguem finalizar) o escritor é atacado pelo grilo da reescrita. E você senta a bunda na frente do PC e rescreve uma cena, uma página, um capitulo ou o livro todo. Seu leitor beta diz que gostou do resultado, mas você não, e mais uma vez vai reescrever algo no livro. Meses se passaram se você não consegue largar mão de seu livro finalizado, sempre aparando ou polindo.

Tenho uma má noticia para você, eu sei que você apenas quer que seu livro fique perfeito. Mas, sabe quando vai conseguir isso? NUNCA.

Como uma mãe zelosa, você só quer o bem para sua criação, e sabendo que o mundo é cruel, hesita em deixa-la ir. Nessa parte é preciso trabalhar o desapego e saber encarar o momento onde tudo que você poderia fazer, foi feito, e deixar seu pássaro voar, seja para mão de leitores fiéis, ou para os dedos de haters fervorosos. Que seja! Você fez seu melhor, e é hora de tocar o barco e partir para a próxima aventura literária.

O ideal nesses casos é se envolver o mais rápido possível com uma produção, seja sua ou de um amigo. Procure distrair-se, quem sabe sendo o beta de um amigo, ou escrevendo uma resenha, qualquer coisa que tire seu ultimo livro da cabeça.

Desleixo e descaso com sua escrita
Eu te pergunto. Para você é comum você ver um médico atendendo de bermuda, um advogado falando errado em frente a um júri, ou um cozinheiro de restaurante que erra a mão no sal em seus pratos frequentemente? Creio que não.

Nenhum desses profissionais pisa na bola porque foram instruídos sobre como e quando fazer seu trabalho de maneira correta, oferecendo o melhor para seu público/ clientes. Profissionais de sucesso também costumam continuar se aprimorando, estudando, fazendo curso para elevar seu trabalho a patamar cada vez mais alto.

Com isso em mente, eu me pergunto por que ainda existe tanto escritor que não leva a sério seu próprio trabalho.

“Ah, mas eu levo a sério meu trabalho sim” disse o cara que não estuda sobre escrita como um todo, acha bobagem releitura e o valor de um bom revisor e que adora xingar quem não gostou do amontoado de erros e incoerências que ele chama de livro.

O autor que encara seu oficio como um hobby, que não necessita de estudo e aprimoramentos, ou que adora chamar escrita torta de estilo está fadado ao limbo dos grupos de “autores injustiçados” do facebook e similares.

4 – NÃO CUIDAR DE SEU AMBIENTE DE TRABALHO

O Feng Shui fala sobre a organização do espaço para canalizar boas energias. Eu não acredito muito nessas coisas, mas concordo que sim, um ambiente mal organizado pode pesar negativamente na produção de um escritor. Mesmo que muitos filmes preguem a imagem do autor genial e recluso que cria muito melhor em meio a sua bagunça particular, quando você parte para outras áreas profissionais (e reais) sempre vai encontrar ambientes de trabalho bem organizados e funcionais.

Você não vai no escritório de um advogado, ou no ateliê de um artista plástico para encontrar bagunça e desorganização. Você encontra um ambiente limpo e harmonioso, onde você se sente bem em ser atendido, e o profissional, obviamente sente-se melhor ainda em trabalhar.

Então, por que você teria de escrever em uma sala bagunçada ou em um quarto cheio de livros espalhados por toda parte? Esqueça o escritor bagunceiro do cinema e concentre o escritor funcional em você. Sei bem que isso pode funcionar com alguns escritores, porém isso é exceção, e não a regra.
Eu sei que muitos não dispõe de escritórios ou áreas maiores para produzir. Mesmo assim, acho que ao menos uma mesinha para chamar de “sua” todos vocês devem ter. Então, organize se espaço, por menor que seja. Crie um ambiente onde você se sinta bem trabalhando e motivado a produzir cada vez mais (As vezes até o uso da musica pode ajudar). Espalhe pelo ambiente símbolos que lembrem ídolos, e objetivos que você deseja alcançar em sua área. Funciona comigo.

FINALIZANDO

Espero que esse artigo tenha lhe ajudado a compreender que muitas vezes o maior inimigo de nosso trabalho está no nosso lado da tela do pc e que o quanto antes compreendermos isso, mais fácil fica eliminar esses hábitos nocivos de nossa vida para poder seguir no sonho de viver  da escrita.

EI, ESCRITOR: RECADO DO BLOG!

Curtiu o conteúdo? Gostaria de ajudar o blog a continuar crescendo? É muito SIMPLES. Basta deixar um comentário aqui em baixo ou compartilhar o conteúdo com seus amigos nas redes sociais. Sua opinião é a MELHOR PARTE de nosso trabalho
Às vezes, as ideias loucas são as mais surpreendentes.
Os autores de DON Brothers – Suor, estress e cafeína, mini coletânea de mangá nacional lançada na CCXP do ano passado (2017) sabem bem do que estou falando.

A ideia da HQ surgiu quando Kaji Pato (QUACK – Editora Draco) entrou em contato com Max Andrade (Tools Challenge – Editora Draco) e a dupla: Wagner Elias e Rafa Santos (Divisão 5 – Editora Draco) com a “brilhante” ideia de em menos de um mês elaborar, escrever e desenhar uma HQ para lançar vender na CCXP que estava prestes a acontecer. O projeto seria formado de três oneshots de 13 páginas cada. A ideia foi aceita, e logo cada um partiu para produzir seu quadrinho.

Nem preciso dizer que uma ideia dessas, de fazer algo em tão pouco tempo, por pessoas que não tem tempo nem para cagar tinha tudo para dar errado. Mas, como eu disse no começo desse texto, “Às vezes as ideias loucas são as mais surpreendentes”.

Mas, vamos por partes para dar uma olhada mais detalha nas três historias que compões a coletânea:

Escarra Brasa – Uma disputa de amor 

Roteiro de Rafa Santos e artes de Wagner Elias
Uma impressionante e divertida visão pós apocalítica onde o clima desértico do sertão tomou o mundo todo. Essa é a HQ em estilo mangá que venceu BMA 2 (Brasil Mangá Awards) e que foi continuada nessa coletânea.

A estória narra uma das afamadas aventuras de Escarra Brasa, o cangaceiro que já foi o mais temido em todo o sertão, virando lenda no nordeste, e que desapareceu um dia, misteriosamente. O motivo para isso é uma sacada dos autores, onde depois de ter tomado um chá miraculoso, o bandoleiro simplesmente é impedido de cometer qualquer maldade por um estranho código de bondade e justiça que lhe foi imposto como maldição através do chá por uma misteriosa curandeira. Nessa estória Escarra Brasa se depara com um pedido de ajuda direto das “Terras envenenadas”. A contragosto ele parte nessa direção, mas o que aguarda o cangaceiro nessa jornada é perigo, mistério e uma estranha disputa de amor.

SOBRE A ARTE: 
A arte de Wagner Elias é algo que dá gosto de ver. Os traços são fortes nessa HQ, propositalmente bebendo do estilo rustico das xilogravuras do nordeste. Apesar de estilo mangá, o traço de Wagner tem um quê, digamos, um pouco “cartunesco”, o que confere a sua arte um toque bem pessoal e expressivo. O uso de enquadramentos e ângulos também é muito bom resultando em uma narrativa fluida e envolvente, empurrando na medida certa o roteiro na tarefa de contar muito, em poucas páginas. Não há oscilações na qualidade da arte, algo que me agrada sempre que vejo um trabalho ilustrado por ele. Recentemente, Wagner foi um dos vencedores no Silent Mangá Audition (SMAC), concurso internacional de mangás que acontece no Japão com a historia “The First Day In the work” com roteiro deste que vos fala.

SOBRE O ROTEIRO:
Não é segredo para ninguém que sou fã do trabalho do Rafa Santos. Sou mesmo, isso desde que li, pela primeira vez a sua HQ Divisão 5, também em parceria com Wagner Elias, na primeira edição da “Dracomics Shonen” pela Editora Draco. Assim como Elias, Rafa também se especializou em contar muito em poucas páginas. O uso medido de textos e recordatórios sempre ajuda a contar mais da trama, e deixa o leitor com a impressão de ter lido um numero maior de páginas do que realmente leu. O enredo introduz bem o leitor ao universo e ao plot central da HQ logo nas primeiras páginas, levando, porém, ele a achar que tem toda a historia decifrada, mas entregando um engenhoso ponto de virada final.

Outro ponto que merece menção é o uso da narração, feita por dois violeiros, e com vícios linguísticos da nossa terra (digo nossa, pois assim como a dupla de mangakas, esse que vos fala também é do nordeste). Um enredo engenhoso, bem amarrado e com fôlego para futuros desdobramentos, é como descrevo essa HQ.

Matar Neymar Jr.

Roteiro e arte por Max Andrade
Um playboy está em Paris dentro da casa de Neymar Jr. – o astro da seleção brasileira – e jura que precisa matá-lo. O que o teria levado a essa situação estapafúrdia? Essa é a premissa básica da HQ Matar Neymar Jr. de Max Andrade.

SOBRE A ARTE
Acho que em outras resenhas que já fiz há muitos anos sobre trabalhos do Max, sempre me desculpo antes de dizer como algumas coisas na arte dele ainda me incomodam levemente. Refiro-me, mais precisamente, a cenários e alguns pontos de anatomia, mas falo como leitor (chato pra cacete), e não como especialista em desenho (que não sou). Contudo, esses pequenos ruídos não o impedem de entregar uma historia divertida, e de fácil compreensão por parte do leitor. Apesar de oscilar um pouco, a arte de Max continua mostrando a evolução que explica as conquistas do autor no meio nos últimos anos. Menção especial para a arte das ultimas páginas que dão um salto incrível de qualidade.

SOBRE O ROTEIRO 
Logo de cara, tenho de dizer que a ideia central que move a trama, o tal “jogo secreto entre milionários” é genial. Muito bem sacado, como diria Silvio santos. Contudo, só acho que essa ideia seria melhor aproveitada se o tom da historia fosse mais para drama ou suspense, do que comédia (mesmo sabendo que em apenas 13 páginas seria MUITO difícil de fazê-lo). Mesmo assim, da forma que foi feita, continua sendo uma leitura divertida.

O autor começa a historia de forma não linear, jogando o leitor no meio do clímax, depois retorna e vem explicando tudo mais devagar, alternativa muito usada em cinema e quadrinhos para gerar interesse imediato.  Um dos pontos fortes do roteiro é a motivação do personagem, que é matar Neymar Jr., e eu posso dizer isso pois o titulo já entrega. O motivo, os meios e como o protagonista chega a esse momento culminante na trama são bem trabalhados e flui bem (exceto por um certo mestre ninja que achei forçado). Mas, o melhor é o desfecho; não pode-se dizer surpreendente, mas satisfatório e bem executado. Mesmo não gostando da temática esportiva, gostei de como a historia foi contada, me divertiu muito lê-la.

Dorival Rainner

roteiro e arte por Kaji Pato.
Esse é o nome do ultimo homem da terra. Uma historia pós-apocalíptica à la Mad Max com uma premissa simples e carregada de “no sense”. Nessa comédia Kaji Pato mostra como seria um mundo onde um vírus mortal matou quase todos os homens e transformou quase todas as mulheres do planeta em mutantes.

SOBRE A ARTE
Não há muito que falar da arte do Kaji que vocês já não saibam. Quem acompanha QUACK, seu mangá pela Editora Draco, já está acostumado ao traço maleável e característico dele. Esse mangá é uma montagem bem executada do que seria uma comédia sem noção em todos os seus detalhes, desde o cenário improvável onde se desenrolam as situações mais estapafúrdias até os diálogos cheio de piadinhas infames. A narrativa visual também está bem construída, misturando na medida certa os tons de aventura e comédia. Uma arte que consegue ser imersiva, e dinâmica ao mesmo tempo.

SOBRE O ROTEIRO
Aqui o autor mostra porque manja da zoeira. A HQ leva o leitor por um mundo pós-apocalíptico propositalmente nos moldes de Mad Max (como já disse), mas que coloca em foco as discussões do casal protagonista, que apesar do mundo e dos perigos que os rodeiam, sempre são focadas em discutir a relação. Apesar de feito apenas para aproveitar a zoeira do momento, esse trabalho me deixou certo gosto de quero mais, confesso. Gostei de como os elementos foram apresentados e a premissa pode sim ser trabalhada em boas continuações. Dei boas risadas do inicio ao fim dessa curta aventura, mas o que realmente me chamou a atenção foi o final estapafúrdio que li e pensei “não, cara, ele não fez isso!”.  Kaji pato mostra nessa HQ porque é sim, um dos melhores escritores e desenhistas de mangá dessa “geração BR”.

DADOS DA OBRA
Publicado em Dezembro/2017
Coletânea feita em parceria com Kaji Pato, Rafa Santos e Wagner Elias.
Contém a HQ "MATAR NEYMAR JR."
Capa Colorida - Lombada Canoa
Miolo P&B papel Offset 90g
40 páginas

Disponível para compra AQUI

Apesar de ainda ser o sonho dourado de muito escritor, há muito tempo as editoras tradicionais deixaram de ser a única forma de levar histórias aos seus leitores.

Novas tecnologias e plataformas como blogs e o formato PDF há muito agem na internet como alternativa aos autores independentes, porém, só no inicio dessa década é que a chegada de novas plataformas e aparelhos de leitura portáteis transformaram definitivamente a transmissão de histórias. (O compartilhamento de histórias)

Na crista dessa nova onda de tendências está o Wattpad, o “Youtube do escritor”, o vale dos sonhos dos aspirantes a romancistas, um “lugar mágico” onde você pode arrebanhar multidões com suas histórias maravilhindas sem precisar do julgo de uma editora.

O único problema nesse sonho dourado é fato de que conseguir essa notoriedade não é nada fácil. É quase como ganhar na loteria, na verdade. Mas não é impossível, é bom lembrar.

Não ficar completamente perdido sem saber o que fazer para conseguir seu público parece o primeiro obstáculo para o autor que caiu de paraquedas na plataforma. Obviamente, não temos a receita mágica para o sucesso no Wattpad (até porque, eu mesmo também estou nessa busca), mas podemos oferecer os primeiros passos básicos e certeiros, aqueles sempre indicados por todo autor de sucesso que encontramos por lá.

Se interessou? Então continue lendo esse artigo para conhece as 5 dicas de ouro para começar bem no Wattpad.


1 – cuidado com a revisão

Isso é o básico do básico e, por incrível que pareça, ainda é um dos critérios mais ignorados por escritores iniciantes.

Como já comentado em um artigo aqui, você cria armadilhas para sua própria carreira. Uma delas sem dúvidas é o desleixo com seu material, seu produto (ficou puto porque me referi ao seu livro como material? Mas é o que ele é, sinto muito).

Nada brocha mais um leitor do que colecionar leitura de erros de português e gramatica em um livro. Ele não tem resistência a isso (e nem deve) e vai largar mão de seu livro sem titubear.

2 – Não ser mendigo 

Você postou seu livro no Wattpad e agora se pergunta como fazer ele ter tantas leituras quanto os dos prodígios que você segue. A resposta com certeza não é encher o saco desses outros escritores pedindo que leia o seu trabalho tentando assim arrastar os leitores deles por tabela.

Ainda sou novo no Wattpad, admito, mas já sei bem como é chato o cara ir nos comentários do seu livro, mentir, dizer que leu e logo em seguida jogar um pedido de leitura com sinopse e tudo. Na boa, não faça isso. Não existe maior tiro no pé.

3 – Periodicidade

Outra coisa que afasta leitores de sua obra é a incerteza de quando irá ler o próximo capítulo da mesma. Leitores gostam de ter a segurança de quando vão poder continuar devorando uma trama, então, invista em uma periodicidade sólida. Programa-se, não saia escrevendo e postando, para não travar na criação e acabar deixando seus leitores na mão. Programe-se para sempre ter dois ou três capítulos prontos à frente, ou melhor ainda, dê preferencia a postar o livro apenas depois que ele esteja devidamente finalizado.

Não subestime o rancor de um leitor abandonado por uma história parada ou inacabada. Esse é o tipo de atenção que você não quer.

4 – Chamada para a ação

Call to action é um termo muito usado no marketing de conteúdos para blogs que, basicamente significa chamar, incentivar o leitor à uma ação, no caso de blogs, curtir ou compartilhar determinado conteúdo.

Isso também pode se aplicar nos seus textos no Wattpad. Você já deve ter lido alguns livros lá que ao fim de cada

capítulo o autor abre parênteses para falar diretamente com o leitor, o convidando para votar ou comentar aquele capitulo. Faça o mesmo. Crie formas divertidas e criativas de se comunicar com seus leitores ao fim de seus capítulos convidando-os a ajudar sua história com votos ou comentários.

Lembre-se, uma história bem votada e comentada sempre poderá aparecer entre os destaques da plataforma, e ai, é uma enxurrada de leitores meu amigo(a).

5 – Interatividade

Não existe nada mais frustrante do que esperar por uma resposta que não vem. Eu, e acho que todo mundo, fico para morrer com isso no “Zap”. No Wattpad não é diferente. Os leitores gostam de saber que você leu o comentário ou mensagem dele, e mais que isso, se importa ao ponto de responder. Não deixe de responder a cada comentário em seu livro, isso é muito importante para gerar interação entre você e seus leitores. Essa interação será muito importante quando você quiser, por exemplo, bolar uma promoção sobre seu livro ou contar com seus leitores na divulgação de novas histórias nas mídias sociais.

Finalizando: 


É sempre bom lembrar que o Wattpad é sim uma ótima ferramenta para quem busca encurtar o caminho entre suas histórias e seus leitores. Mesmo assim, vários autores são unânimes quando dizem que ele não deve ser usado como ferramenta única na máquina de produção do escritor.

Use o Wattpad como mais uma alternativa para as pessoas encontrarem e conhecerem o seu trabalho, colocando-o para trabalhar em conjunto com outras ferramentas de alcance como publicação na Amazon, blog, mídias sociais e etc.

EI, ESCRITOR: RECADO DO BLOG!

Curtiu o conteúdo? Gostaria de ajudar o blog a continuar crescendo? É muito SIMPLES. Basta deixar um comentário aqui em baixo ou compartilhar o conteúdo com seus amigos nas redes sociais. Sua opinião é a MELHOR PARTE de nosso trabalho

Publicar um livro não é tarefa fácil. Ao menos quando o assunto é publicação por editoras. Sem dúvidas, deve ser por causa das inúmeras dificuldades que nossos autores iniciantes e independentes enfrentam para expor seu trabalho, que plataformas on line de publicação têm ganhado terreno aqui, como é o caso do Wattpad, nosso querido Wattpad.

Faz pouco tempo, publiquei um texto, aqui, sobre a plataforma e as oportunidades que ela oferece com seu programa Wattpad Stars (LEIA AQUI); mas, no fim das contas, algumas informações importantes passaram batidas, como a existência de autores brasileiros em meio ao time de estrelas do Wattpad. E quem são esses autores? Onde vivem? O que comem e como habitam o tal Wattpad Stars?

Para tapar o buraco que ficou do último texto, trazemos para você uma entrevista bacana e esclarecedora com Chaiene Santos, Wattpad Star, contratado do Wattpad Studios, detentor do posto de embaixador do Wattpad no Brasil. Autor com mais de um milhão e meio de leituras na plataforma com seu romance premiado “Filhos do Tempo” Chaiene nos fala um pouco sobre sua experiência de autor na plataforma, carreira e como chegou ao posto que ocupa, entre as estrelas da plataforma e destaque na Amazon Brasil.

IndieOuSorte: Olá, Chaiene! Primeiramente, obrigado por aceitar bater esse papo conosco. É realmente um prazer. Mas, sem mais delongas, me diga, você cadastrou sua primeira história, "Filhos do Tempo", ainda em 2015. Você imaginava que teria esse sucesso em mãos?

Chaiene Santos: Primeiramente, gostaria de agradecer por esta oportunidade de falar sobre o meu trabalho e o Wattpad. Nunca imaginei que conquistaria tantos leitores e seguidores na plataforma. Para mim, foi uma grande surpresa.

IndieOuSorte: Quando você parou e disse “Caraca, o que está acontecendo? ”  Percebendo o sucesso e o destaque que seu romance estava angariando?

Chaiene Santos: Logo no final de 2015, fui convidado a ser destaque na plataforma com meu livro de Sci-fi e aceitei, o que fez aumentar a visibilidade das minhas obras.

IndieOuSorte: Seu romance “Filhos do Tempo” foi contemplado ainda em 2015 com o prêmio internacional Watts, nas categorias mais populares em língua portuguesa. Qual foi o impacto desse prêmio para sua carreira, já em seu início?

Chaiene Santos: No final de 2015, ganhei o prêmio e com isso meu livro ganhou mais destaque. Os seguidores aumentaram mais ainda, assim como o número de leituras.

IndieOuSorte: Ainda Sobre seu livro, “Filhos do Tempo”. Ele faz parte de uma trilogia de ficção cientifica. Mas, quais foram suas influências na hora de escrever essa obra?

Chaiene Santos: Tive uma ideia sobre o futuro da humanidade e a coloquei no papel. Depois coloquei um romance juvenil na história o que atraiu os jovens à leitura.

IndieOuSorte: Sei que você já ouviu muito essa pergunta sobre como concilia a vida de escritor, com sua outra função, a de odontologista. Mas, esse é um ponto que considero importante por bater bem na ferida de muitos escritores nacionais: A tal da produtividade. Como é seu processo criativo e como você faz para se manter produtivo, mesmo depois de um dia corrido nos consultórios?

Chaiene Santos: Trabalho de segunda a sexta no consultório e gosto de escrever à noite quando existe o silêncio e também como forma de relaxar com um bom café passado na hora.  Criar personagens, conflitos, cenários e depois resolver tudo no final é muito legal na vida do escritor. A imaginação tem esse poder de nos transportar a mundos novos, o que faz parte do entretenimento.

IndieOuSorte: Você carrega o posto de Embaixador do Wattpad no Brasil. Explica para nós o que faz um embaixador do Wattpad, aqui, e como você conseguiu esse posto.

Chaiene Santos: O Embaixador é um voluntário que cuida da plataforma. Faz de tudo um pouco: tradução, design gráfico de capas dos livros para nosso perfil oficial, resposta de dúvidas dos usuários, pré-seleção de livros para a sessão "Em Destaque" e monitoramento da comunidade de um modo geral. Para quem se interessar:
https://www.wattpad.com/story/37021589-como-virar-um-embaixador.

IndieOuSorte: Sobre o Wattpad Stars, o programa de incentivo do Wattpad, como você deve saber, publiquei um texto buscando expor esse programa aos escritores usuários do aplicativo. Porém, as informações sobre brasileiros no programa meio que passaram batido. Então, conta para nós. Como é fazer parte do time das estrelas do Wattpad? Como você fez para entrar e quais benefícios você angariou com isso para sua carreira de escritor?

Chaiene Santos: A plataforma #Wattpad com escritório em Toronto, no Canadá, é muito dinâmica com vários colaboradores, atuação em mais de 50 países e mais de 45 milhões de usuários. Eu me inscrevi no programa por um link que havia na seção WattpadStars da plataforma
https://www.wattpad.com/writers/stars.html
Depois, me escolheram para o programa, o que me deixou muito contente. #WattpadStars ajuda na publicação dos livros, filmes e oferece oportunidades para os autores. Assinei contrato em inglês com o #WattpadStudios que trabalha com filmes e séries de TV e, neste mês de outubro, fechei contrato também, em inglês, com o programa #WattpadFutures, que paga aos autores para adicionar anúncios de vídeo entre os capítulos dos livros. Acho que sou o primeiro autor em português a entrar nestes últimos que citei e estou muito ansioso para ver os resultados.
http://futures.wattpad.com/

IndieOuSorte: Acho que a mesma pergunta pode se aplicar ao seu contrato com o Wattpad Studios. Como funciona isso em sua vida?

Chaiene Santos: A palavra é esperança. O sonho de todo autor é ver seus livros publicados e quando o assunto é transformar a história em filme, a coisa fica exponencial e espero que este sonho se realize um dia.

IndieOuSorte: Ainda sobre o Wattpad Stars. A plataforma fala sobre trabalhos comissionados para empresas parceiras. Você já chegou a pegar algum trabalho desse tipo? Como funciona essa parte mais, digamos, financeira da coisa?

Chaiene Santos: Não tive contratos com empresa, mas o contrato com o #Wattpadfutures é bastante promissor, porque na plataforma Wattpad os livros são lidos em todo o mundo.

IndieOuSorte: Atualmente, você conta com 53,3k de seguidores no Wattpad. Qual dica você poderia dar para aquele autor(a) iniciante que deseja alcançar essa ótima aceitação dos leitores?

Chaiene Santos: Procurar criar sempre conteúdo original, ideias criativas e que capturem a atenção, principalmente do seu público alvo. Divulgar seus livros nas redes e interagir com os leitores.

IndieOuSorte: Seus livros frequentemente aparecem dentre os mais vendidos na Amazon. Qual a estratégia que você usa para conseguir isso?

Chaiene Santos: Faço divulgação nas redes e uso canais gerais e específicos para leitores da #Amazon.

IndieOuSorte: Você traduziu muitos de seus livros para inglês e espanhol? Como é o feedback desse público de fora sobre suas obras?

Chaiene Santos: Sempre há comentários nas obras traduzidas e procuro responder na medida do possível. Com as traduções podemos alcançar mais leitores no mundo globalizado com acesso às redes.

IndieOuSorte: Sua atuação na produção independente é notável. Nesse contexto, você poderia opinar sobre o ato de pagar para ser publicado? Acha um investimento válido para um autor iniciante?

Chaiene Santos: Não acho que seja uma estratégia boa pagar para publicar porque as editoras geralmente investem em Marketing nos sucessos internacionais que traduzem e já sabem que vão lucrar. Algumas usam este recurso de oferecer publicação paga a autores desconhecidos como meio de aumentar seus lucros, mas geralmente, os autores não conseguem nada com isso e desistem após alguns anos. Eu mesmo já publiquei com duas pagas e me arrependo, porque estou procurando meus livros nas livrarias e não encontrei até hoje. Por isso, sigo tranquilo o meu caminho fazendo a coisa certa. Publicar em plataformas digitais seguindo a tendência dos jovens de ler em smartphones. Imagine quando a internet melhorar no Brasil! Mas também estou aberto a propostas de publicação impressa. Quero ver meus livros nas livrarias.

IndieOuSorte: Com base em sua experiência dentro da plataforma Wattpad, cite alguns comportamentos que você acha benéfico para a vida útil de um autor, e outros que você desaconselha para quem realmente deseja se firmar em meio aos demais escritores da plataforma.

Chaiene Santos: Vou enumerá-los:
1. Interagir com os leitores.
2. Ler muito.
3. Criar novas histórias sempre se mantendo proativo com sua imaginação.
4. Cultivar o respeito por todas as pessoas do meio literário assim como na vida.
5. Ouvir os conselhos dos autores mais experientes e evitar seguir por caminhos errados.
6. Usar as redes para divulgação.
7. Sempre ficar atento às novas tendências, porque as coisas mudam rápido atualmente, e quem não acompanha fica para trás.

IndieOuSorte: E para finalizar, sobre futuro. Poderia nos contar um pouco sobre seus planos literários? O que podemos esperar de Chaiene Santos em breve?

Chaiene Santos: Vou lançar o livro O Outro Lado, de Sci-fi (em revisão), que já está, inclusive, registrado no EDA-BN. Depois, escreverei O Último Elemento também de Sci-fi, O Homem Fantasma 2 para fechar a Duologia, e tenho mais duas ideias que coloquei no word para mais 2 livros de ficção científica. Acho que estarei bem ocupado nos próximos meses, graças à ajuda de minha família, ao meu trabalho que valorizo muito e aos leitores que me prestigiam.

Gostaria de agradecer a vocês que divulgam a nossa arte. Continuem a buscar conhecimento porque a nossa mente é capaz de coisas incríveis. A leitura e a escrita são meios de expandir nossas ideias e mostrar ao mundo que ele pode melhorar a cada dia.

Se interessou e quer conhecer melhor, autor e sua obra? Então não deixe de seguir o Chaiene Santos em sua página no  Facebook, ou em seu Site Oficial. Conheça e leia todos os seus livros DE GRAÇA em seu perfio no Wattpad https://www.wattpad.com/user/ChaieneS

EI, ESCRITOR: RECADO DO BLOG!
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“Começar com livros menores não te faz um autor menor. Te faz um autor pé no chão”

Foi partindo desse pensamento e tentando me encher de otimismo que finalmente iniciei a leitura de Poker com o Diabo, livro de estreia de Italo Guimarães, lançado pela Editora Garcia.

Não vou mentir. Desde que recebi o livro que mantive o pé atrás com o mesmo. O motivo, o numero de páginas: pouco mais que 104. Não levei fé, pronto, falei. Mas, que porra. Não é que mordi a língua? Continue lendo que me explico melhor.

Poker com o diabo conta o que acontece em um dia qualquer em que o diabo, isso mesmo, o chifrudo, o vermelhão, o sete-pele, o pata rachada, o senhor do sofrimento eterno, fica entediado. Ele então tem uma ideia no mínimo curiosa: promover uma partida de Poker entre ele e algumas almas selecionadas da sua lista.

Uma ideia bem simples que vai mostrando sua complexidade ao ponto que os jogadores/personagens vão se apresentando ao leitor. O diabo convoca para a jogatina uma parteira, um agiota, uma modelo, um pastor e um policial, além de uma figura misteriosa que tem papel crucial no desfecho. A regra principal para a partida é: se vencer, o jogador ganha sua liberdade do martírio. Se perder, terá seu sofrimento potencialmente aumentado. Aceitar ou não jogar fica a critério dos participantes.

O livro pode se chamar de “não tem ação aqui” visto que se desenrola todo ao redor de uma mesa de poker e nada de interessante pode vir disso, certo? ERRADO!

Com exceção do desfecho, o livro não mostra nenhum desenvolvimento maior para a trama. Contudo, a forma como o diabo lida com cada um dos personagens durante o jogo é que nos prende às páginas. Enquanto joga, com um de cada vez, o Diabo, talvez por pura diversão, faz o individuo se confrontar com aspectos de sua vida pregressa e como ele de fato foi parar ali, no inferno.

A jogada é que o autor usa simbologias do poker para fazer essas metáforas e uma porrada de críticas sociais. É, muitas vezes, angustiante ver como cada personagem olha para dentro de si antes de encarar que  de fato não há mais salvação. E como resultado, você acaba fazendo uma auto avaliação, e fica dividido entre odiar o condenado pelos pecados que cometeu e tentar se colocar no lugar e pensar "Poderia ser eu ali.


A trama não precisa de injeções de ação para fluir. Ela precisa apenas dos diálogos e as reações dramáticas geradas por eles. Falando em diálogo, preciso dizer que algumas vezes (bastante) o autor acaba caindo em clichês e jargões um tanto cansativos, mas nada que estrague o estilo que o autor está desenvolvendo aos poucos.

E o Diabo... o que dizer da figura do demônio nessa obra?

Meio batida, de início, mas que vai cativando aos poucos. O diabo no livro não é o senhor prepotente dos tormentos a que fomos apresentados nos sermões nas igrejas, ao menos, não é como ele se apresenta. Ele é um típico jogador de poker, daqueles bem velhacos que sabem como blefar e como ludibriar seus oponentes. Tudo gira em torno dele, mas é dos coadjuvantes que vem a ação dramática que faz a coisa toda andar.

A Ambientação é outro ponto bem interessante. Tudo é trabalhado pelo autor para passar a atmosfera esfumaçada de um salão de jogos. O autor quis atrelar sua trama a um ambiente menor, visto que para essa trama em especial, descrever detalhadamente os círculos e níveis do inferno não agregariam nada além de enchimento de linguiça. Essa coisa de misturar poker com diabo, inferno, blues, não vou mentir, me senti lendo algo nas páginas da revista Vertigo. E eu adoro Vertigo.

Por fim, tem o desfecho que mostra uma sacada bem colocada do autor, mas que claro, você vai ter que ler o livro para saber do que estou falando.

Italo Guimarães estreia mostrando que tem mão para fazer algo que muitos escritores penam para conseguir: falar muito com pouco. Seu livro pode ser curto, mas é de uma complexidade e carga emocional grande. Poker com o diabo é um suspense talhado no sobrenatural que pode até ser lido rápido, mas demorará um pouco para deixar sua mente. Fica a recomendação.

Se interessou? Você pode então adquirir seu exemplar direto com o autor, ou pela amazon.
Já leu o livro? Então comente. Diga se estou certo ou falando besteira. Não esqueça de curtir a comunidade de Poker com o Diabo no facebook

Dados da obra:

Título: Poker com o Diabo
Autor: Italo Guimarães
Número de páginas: 87 páginas
Editora: Garcia; Edição: 1 (23 de setembro de 2016)
Idioma: Português


Eu preciso avisar que detesto a expressão “Caiu como uma luva”. Acho capenga e démodé. Porém, nessa que foi para mim uma semana de intensa discussão sobre qual a verdadeira faceta da ditadura e seus reais efeitos em nosso país e sobre um renascimento de um "direitismo" que muitos já davam por extinto, acabei me deparando com a HQ Ditatura No Ar- Coração Selvagem e não tive outra opção se não dizer: caiu como uma luva.

Com roteiro de Raphael Fernandes e arte de Rafael Vasconcellos, o Abel, essa HQ narra a busca do repórter Felix Panta para descobrir o paradeiro de sua desaparecida namorada Lenina, uma jovem comunista que foi levada pelo DOI-CODI, um dos mais temidos órgãos de repressão da época.

Inicia-se uma arriscada investigação que coloca Felix no meio de intrigas e do perigo de morte que o simples fato de pensar diferente poderia acarretar, em um sombrio Brasil do ano de 1969; ano do famigerado AI-5 e da ditadura militar em seu auge.

Essa Graphic Novel começou como independente, em formato de minissérie. Recentemente, em 2015, ganhou um volume encadernado pela Editora Draco, mesmo ano em que Raphael Fernandes levou o Troféu HQMix como roteirista revelação.

Sobre o roteiro:

Logo nas primeiras páginas eu pude notar a preocupação do autor com a pesquisa dos fatos. Toda ambientação, linguajar e elementos foram bem colocados para emular os anos negros da ditadura em nosso país. Discussões ideológicas, musicas de protestos e até um jornal parodiando do famoso Pasquim. Tudo que rodeia Felix, o protagonista, nos faz refletir no tanto que as coisas evoluíram, e como hoje é quase inconcebível imaginar um mundo onde o simples fato de pensar diferente poderia significar tortura, ou uma morte terrível.

Apesar de ser um relato aprofundado do que foi essa nação durante os anos da ditadura, o que realmente me prendeu às páginas foi o dilema e como o protagonista reagia a ele. O fato dele buscar sua namorada desaparecida durante toda HQ mexeu especialmente comigo. Ele vai juntando as informações enquanto se joga de cabeça em situações de ação e violência, porém, quanto mais perto ele chega de desvendar o mistério que envolve o desaparecimento dela, mais a angustia vai aumentando, pois em se tratando de desaparecimento na ditadura, não é difícil imaginar um final terrível. E é o que se revela. Isso mexeu particularmente comigo, pois sou muito apaixonado pela minha esposa e não conseguiria me imaginar passando pelo que Felix passou.

Os diálogos também são um ponto a se mencionar. Todos ligeiros e bem trabalhados, junto com o arquétipo grosseiro, porém humano do protagonista, ditam o ritmo cadenciado que a narrativa toma, e a enquadra muito bem a obra no subgênero policial Noir, o que eu achei genial, pois nada melhor que uma atmosfera sombria e lúgubre para retratar o período de trevas que foram os tais “Anos de chumbo”.

O autor leva sua trama em um ritmo bem econômico e preciso, não deixando pontos de fuga ou pontas soltas durante inicio, meio e fim. E ao término, um desfecho que eu já esperava, mas que não deixou de me abalar por isso.


Sobre a Arte:

A arte me lembrou muito algumas coisas que já vi dos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moom, porém muito vagamente. É o tipo de arte marcante e de traços angulares que facilmente se encontraria em casas criativas como a Vertigo ou a Nova Image Comics. O traço, junto com cores que me “soaram” envelhecidas, servem perfeitamente na imersão do passado onde tudo se passa e na criação da atmosfera densa que permeia a trama.


Ao fim, Ditadura no Ar, do Raphael Fernandes e do Abel se mostrou uma grata surpresa, ao mesmo tempo que uma preocupante reflexão, que me fez tanto olhar o que passou, quanto vislumbrar o que pode estar por vir.

Angustiante e envolvente. Nunca olhar para o passado sombrio desse país me deixou tão vidrado.
Leitura recomendada para aquele fim de tarde chuvoso, onde tudo é cinza e tristonho. 


Sobre a Obra

Ditadura no Ar – Coração Selvagem
Autor: Raphael Fernandes
Ilustrador: Rafael Vasconcellos
ISBN: 978-85-8243-180-1
Gênero: História em quadrinhos, Policial/mistério
Formato: 17cm x 24cm
Páginas: 104 coloridas
Preço de capa: R$ 44,90
Disponível: No site da Draco, Saraiva e Amazon.

Ei! Vamos acordar pessoal. 2017 já começou e está mais que na hora de termos nossa primeira resenha do ano.

A “vítima” foi o livro O Beijo da Morte, primeiro da série Sob a Luz das Galáxias da autora Judie Castilho, que está saindo pela Editora Chiado.

Antes de mais nada, acho bom ressaltar que sei bem que não sou o publico alvo dessa publicação. Por tanto, tentarei pautar possíveis críticas sobre esse “pretexto” ok? Vamos lá.

O livro é um romance com pitada de Sci-Fi que se passa em um cenário intergaláctico entre planetas e viagens espaciais. Logo de cara percebemos que o conflito que move boa parte da trama é um velho conhecido: o amor impossível.

Mas, vamos por partes.

O livro narra a vida de Haysla, junto à sua amiga Violyt, iniciando uma nova fase em suas vidas. Depois de passarem muitos anos na Terra, enfim chegou o dia pelo qual elas tanto esperaram. Elas estão completando 17 anos e ingressando na Academia Frantila, a escola mais prestigiada e disputada do universo.

Tudo parece ir bem. Oorém, ao se deparar com Benjamim, um professor mais velho, e de outra raça, Haysla descobre um amor intenso, porém impossível de ser vivido, já que a raça a qual Benjamim pertence possui um venero que a de Haysla não tolera. Então, fica claro que um único beijo seria o suficiente para mata-la.

No livro somos apresentados a trama tendo foco nas duas amigas, mais precisamente em Haysla. E quando ela “esbarra” no tal professor bonitão, eu pensei “vixe, lá vem romance água com açúcar". Contudo, a autora coloca mais que isso em sua trama. Como pano de fundo ao que parecia não passar de um simples caso de amor impossível, somos também apresentados a intrigas intergalácticas onde os dezesseis planetas aliados que formam a União Universal (a Uni Uni) enfrentam a eminência de uma guerra com os planetas não aliados.

De cara o que mais me chamou a atenção foi o esforço da autora para estruturar seu universo. A Academia Frantila, palco de grande parte do desenrolar da história possui sistemas e métricas bem interessantes para separar os alunos de diversas raças e planetas diferentes. Tais raças também foram bem trabalhadas, dando variedade às suas habilidades físicas e mentais, forçando nossa imaginação a desenhar cada vez que um novo ser extraordinário era apresentado.

Contudo, ainda senti falta de certa diferenciação das espécies nas questões físicas. Nada mais que um tom diferente de pele, cabelos ou olhos era responsável por distinguir tais raças. Quero dizer, sem essa diferenciação de formas e espécies, a trama poderia muito bem se passar na terra que não faria a menor diferença.

A autora tem boas sacadas, como por exemplo explicar a diversidade terrestre atribuindo nossas diferentes cores de pele à diferentes povos alienígenas que colonizaram diferentes partes do globo, trazendo consigo conceitos de religião e comportamento que usamos até hoje.

Porém a parte da ambientação peca um pouco. Não senti segurança nas descrições, principalmente no contexto intergaláctico que a historia se insere. Quando se via uma nave, era apenas uma nave, e nada mais. Talvez a autora quisesse apenas focar no romance e em como os fatos principais da trama se desenrolavam por trás. Mas, continuo achando que descrever uma trama no espaço sem fazer nossa mente viajar por descrições fantásticas de tecnologias desconhecidas é meio frustrante. Mas, isso é detalhe que só um chato (leitor de ficção cientifica das antigas) como eu percebe, já que outros aspectos que permeiam a obra dão uma boa cobertura.

A narrativa segue um tempo bem adequado, principalmente tratando do amor que Haysla vai desenvolvendo por Benjamim ao longo das páginas e como isso se torna de vital importância para o desfecho do livro. Claro que existem alguns detalhes que me incomodaram, como o fato da melhor amiga, Violyt, ser uma personagem mal aproveitada e o fato do pai de Haysla ser o presidente do universo e ser tratado por todos como um “amigo de bar” me pareceu algo meio “fora do esquadro”.

Os diálogos são aquela parte em que uso “não sou o publico desse livro” como pretexto. São todos muito bem escritos, mas tratam quase sempre de relacionamento e carregam muitas vezes a impulsividade adolescente que tão bem serve ao gênero. O publico feminino adorou, e o mérito é merecido. Mas como eu disse, não sou o publico alvo da obra. Não por ser homem, e sim por ser um tipo diferente de leitor.

Mas, no geral, fiquei feliz em ver como a autora consegue mesclar a sutileza de relacionamentos jovens com a grandeza de uma trama cheia de conspiração entre planetas. O livro cumpre bem o seu papel que é de entreter e abrir caminho para as continuações.

Judie Castilho estreia mostrando que tem fôlego para levar o leitor por mais de quatrocentas páginas sem ser maçante, e imaginação para dar forma a um universo tão fantástico e diverso. Se você gosta de um bom romance, e de quebra uma ficção cientifica leve, esse livro é para você. Recomendado.

Eai, interessou?  Então você pode adquirir os exemplares pela Amazon, ou no site da Editora Chiado.

Não esqueça de curtir a page do livro e da autora. E claro, deixar sua opinião sobre o livro aqui embaixo, nos comentários. Lembrando a todos que nosso conteúdo é semanal, então, assine nossa lista para ser informado sempre que conteúdo novo for lançado, ok?

Dados da obra
Autor: Judie Castilho
Data de publicação: Outubro de 2016
Número de páginas: 478
ISBN: 978-989-51-9659-3
Colecção: Viagens na Ficção
Género: Romance
Idioma: Pt

Se você realmente curte quadrinho nacional, já deve ter ouvido falar de Hansel e Gretel, o mangá idealizado pelo escritor Douglas MCT. Oficialmente anunciado pela NewPop em 2011, sucessivos adiamentos do projeto tornaram o mesmo uma famosa “lenda urbana” dos quadrinhos nacionais.

Depois de finalmente firmar o artista definitivo para obra, no caso, a desenhista Rafi de Sousa, a editora finalmente entregou o mangá nacional nas mãos dos fãs ansiosos e quebrou um ciclo de incertezas e zombarias que se arrastou por anos.  O resultado é o encadernado caprichado Hansel e Gretel – Sombra e vapor Vol.1, que chegou finalmente aqui na redação, e é sobre ele que daremos nosso humilde “pitaco” hoje. Vamos lá?

Hansel e Gretel é uma colcha de retalhos! (Nossa. Assim, na lata?).

Calma, pois falo isso no melhor sentido da palavra. Expressando-me melhor, eu poderia compará-lo a um vitral, onde a união de diferentes elementos resulta naquela síntese multicolorida bonita de se ver.

E é o que acontece nesse mangá.

Mas, calma, vamos por partes.

O Enredo:
Esse mangá fala sobre João e Maria (Hansel e Gratel no original), gêmeos albinos chegando numa misteriosa metrópole em busca do paradeiro de seu desaparecido pai. Enquanto buscam por pistas de seu pai, vão descobrindo fragmentos de um passado misterioso, e sendo levados ao centro de uma trama perigosa que pode custar suas vidas.

O Roteiro: 
A Trama gira em torno de um mistério que a faz andar. Trata-se da busca dos irmãos pelo pai desaparecido, e consequentemente os motivos do seu abandono. Parece bem simples. Mas não é. A busca pelo pai serve bem como pontapé inicial. Mas, é a maneira como somos jogados junto com os protagonistas para mistérios cada vez maiores que me pegou de jeito.

O Autor, Douglas MCT, usa bem de sua vasta gama de personagens, com suas relações e reações para ir tecendo aos poucos o quebra cabeça que a historia se revela ao fim desse primeiro capitulo. Nada é explicito (só a pancadaria mesmo). Até os personagens mais próximos são jogados no tabuleiro de forma ambígua, onde não sabemos identificar direito suas reais intenções para com os protagonistas. Até os irmãos protagonistas possuem camadas psicológicas bem intrigantes. E eu simplesmente adoro isso.

E falando em personagens, eis ai mais um dos pontos que me agradou. Douglas os imagina e descreve em releituras que não funcionariam tão bem em nenhum outro período que não o nosso. Cheios e carisma e identidade própria, acabam caindo em clichês em alguns momentos, mas surpreendem em outros, como por exemplo quando nos deparamos com um Robin Hood Motoqueiro ou um Flautista encantador de Zumbis.

Obedecendo bem ao esquema de três atos, vemos começo meio e fim bem definidos enquanto os irmãos protagonistas seguem descendo o cacete em belas cenas em ação e buscas por respostas; busca essa que acaba gerando novas lacunas, uma bela artimanha para fisgar o leitor para o próximo volume. Isso sem falar na enxurrada de referencias, que vou deixar vocês descobrirem por conta.

Como ponto negativo eu cito apenas o elemento usado como pano de Fundo: a temática Steampunk. Apesar de muito da estética tentar emular isso com elementos como algumas rodas dentadas aqui e uns zéppelins alí, continuei achando fraco e capenga em relação ao resto da obra. Também poderia citar o gancho no fim do volume, na minha opinião, meio solto, mas estaria só sendo bem chato.

Sobre arte: 

Parece Hiromu Arakawa(De novo, assim na lata?).

Só eu, noob como sou para fazer uma comparação seca assim do nada. Mas, sim, o traço da Rafi de Sousa dispensa comparações, pois a qualidade de seu trabalho surpreende qualquer um. Um traço seguro e nenhum pouco inconstante que mantém a qualidade da proposta do início ao fim. Sua narrativa também é muito satisfatória, amena nos momentos de tensão e exasperada nas sequencias de ação. Realmente, fazia tempo que a qualidade do traço de um artista nacional me deixava tão satisfeito, principalmente no mangá.


Finalizando.

Hansel e Gratel não é mais um mangá porradeiro genérico, com personagens espalhafatosos feitos pensando no cosplay. Trata-se de uma trama arrojada, que prefere usar o mistério como força motriz, deixando a ação de porradaria como mero adorno.  Acho que quanto a isso, devemos agradecer ao tempo em que o projeto ficou parado. Foram anos para esmerar a aparar arestas que fizeram muito bem ao roteiro do Douglas.

Contar é uma arte muito difícil, mas recontar revela-se uma arte ainda mais "tretosa". Pegar algo já criado, dar-lhe sua voz junto com nova forma e torna-lo mais uma vez interessante. Assim como os Grimm fizeram com os contos de fadas em sua época, seguidos por Disney e mais recentemente Raphael Draccon na literatura nacional, Com Hansel e Gretel – Sombra e  vapor Douglas MCT mostra porque merece estar nessa celebre lista de recontadores, ou melhor dizendo “Reencandadores de leitores”

Dados da obra:
Título: Hansel & Gretel
Autor: Douglas MCT (roteiro) e Rafi de Souza (arte)
ISBN: 978-85-8362-116-4
Formato: 128 mm x 182 mm
Páginas: 176 páginas
Acabamento: Papel Offset – Capa Cartonada
Valor: R$ 16,00
Volumes: 2

Gostou? Não esquece daquela curtida/cometário que já nos ajuda muito.

Despretensiosamente interessante

É assim que classifico Hotel Califórnia, HQ escrita por Cleber Augusto com artes de Felipe dias.

Essa Hq começa com um estranho acontecimento que assola o mundo há cada dez anos, a Lua Escarlate que abre um portal que liga o mundo dos homens ao mundo mágico.  Durante esse fenômeno, um estranho homem apareceu tocando uma arpa, hipnotizando e levando embora todas as crianças da uma vila chamada Eagles.

Dez anos depois desse misterioso acontecido, somos apresentados a Benz, um garoto que na época do sequestro tinha seis anos e foi o único que teve a sorte de escapar, pois durante o transe ficou preço em uma corda, e foi obrigado ver sua amiga Lucy ser levada.

Benz nunca entendeu bem como as pessoas de sua vila se conformaram tão fácil com aquela tragédia, e sempre nutriu dentro de si um desejo por desvendar aquele mistério e resgatar seus amigos.

Um dia, um gato falante chamado Rudolph lhe aparece e lhe diz que sabe onde encontrar as crianças desaparecidas, e pede que Benz o siga sem fazer perguntas para um lugar desconhecido. E é ai que começa a aventura de verdade.

Sobre o traço.

É bem nítido para mim que o artista bebe fortemente da fonte de artistas como Bryan lee o'malley (Scott Pilgrim e Seconds), porém consegue imprimir identidade própria ao seu traço. Sua quadrinização tem um time bem simples que se enquadra bem ao que a trama pede. Quase não se vê quadros de angulação mirabolante, ou recursos audaciosos de narrativa e isso só faz realmente falta nas sequencias de ação, que acabaram ficando bem monótonas. Mesmo assim, a arte de Felipe Dias consegue ser simplista, sem ser simplória.

Sobre o roteiro.

Essa é a estreia de Cleber Augusto como roteirista. O roteiro ficou interessante, apesar de alguns altos e baixos na trama, como por exemplo, lá pelo fim do primeiro capítulo, quando o gato Rudolph aparece dizendo que sabe para onde as crianças foram levadas. O protagonista até esboça um questionamento, mas a forma como concorda em seguir um gato falante que ele nunca viu na vida ainda me pareceu um pouco forçada. Outra coisa que me incomodou é como em poucas páginas a relação desses dois, até então estranhos se transforma na camaradagem de dois velhos amigos, com brincadeiras e ignorando o fato de estarem em um mundo desconhecido e rumando a um perigo.

Cleber é um bom contador de historias, mas por ser sua estreia, pareceu nesse primeiro volume estar meio apressado para contar muito, em poucas páginas, e acabou deixando alguns pontos bem imprensados, ou apressados. Ou talvez eu simplesmente não tenha pego o que o autor queria passar, sendo assim, espero que no próximo volume essa sensação passe.

E é claro, não poderia deixar de citar, que como fã da banda Eagles, adorei as referencias deixadas a ela na historia, como o Hotel Califórnia, o lugar misterioso para onde as crianças raptadas foram levadas, e que dá título a historia, a cidade do protagonista, chamada Eagles.

Mesmo algumas baixas, a historia é bem contada e faz uso de elementos que fazem dela uma divertida aventura com quê de conto de fadas moderno e que com certeza vai lhe divertir por umas boas horas de leitura. Muitos mistérios foram introduzidos nesse primeiro volume, e me deixaram curioso para a continuação.

Finalizando

Hotel Califórnia é uma HQ que mostra de cara um potencial para ser envolvente, que precisa ser lapidado, mas que está lá. O trabalho conjunto entre Cleber e Felipe dá provas que gerará cada vez mais e melhores frutos. E eu estou ansioso para ver o que vem por ai.

Super recomendo a leitura.

A HQ estará sendo oficialmente lançada na CCXP Comic Con Experience 2016 em um encadernado de 53 páginas, capa colorida e miolo P/B.

Não esqueça de seguir os autores Claber Augusto e Felipe Dias no Face, ou curtir a page de Hotel Califórnia e ficar sabendo primeiro das novidades. Curta nossa fanpage também.

Quem acha que ser escritor é sinônimo de vida mansa não sabe o quanto isso está errado. O incauto que um dia diz a si mesmo “Ah, vou ser escritor à partir de hoje, vai ser mó dahora” não sabe o caminho de pedras que esta escolhendo.

Preconceito, ser desacreditado por seus próximos, estudar muito e ter que muitas vezes ir além do simples “escrever” para se firmar nesse ramo são alguns itens inclusos no pacote. Porém, os que escolheram esse caminho pelo genuíno desejo de contar boas historias, sabem bem o deleite de conseguir “chegar lá”.

Batemos um papo bacana com Dêner B. Lopes, autor, editor e como muitos de nós, um intrépido que se enquadra muito bem na divagação que fiz acima. Conversamos sobre auto publicação, editoras de grande porte e seus novos projetos. Espero que gostem.

IndieOuSorte: Olá Dêner, primeiramente é um prazer ter essa conversa contigo, cara. Te conheço faz pouco tempo, mas já posso dizer que sou admirador do seu trabalho. Mas vamos deixar a rasgação de seda que não estamos aqui pra isso, ahaha.

Eu já fiz essa pergunta ao Fábio Mourajh (leia aqui a entrevista), e vou te fazer também porque acho muito pertinente como pontapé inicial. Como e quando você parou e disse “Ah, vou ser escritor”?

Dêner B. Lopes: O Prazer é meu! Bem, foi de uma maneira bem inusitada. Eu estava vendo um filme de vampiros em 2010 e soube que era baseado em um livro. Depois que o li fiquei com uma sensação de ter aquilo para mim: escrever, ter minha história publicada e, sei lá, até virar um filme. Eu era uma criança de verão naquela época.

IndieOuSorte: Ainda nessa coisa de inicio de carreira, conta para a gente, você sofreu algum tipo de preconceito assim que começou a trilhar esse caminho?

Dêner B. Lopes: Preconceito não, mas descrença sim. Apoio, verdadeiro, que tive consigo contar nos dedos de uma só mão.

IndieOuSorte: Quais são suas inspirações no meio literário e qual seu autor preferido.

Dêner B. Lopes: Me inspiro em todo autor que está fazendo sucesso, que conseguiu conquistar o que todos nós sonhamos. Mas minha inspiração maior, claro, sempre foi e sempre será J. K. Rowling.
  
IndieOuSorte: Fale um pouco sobre seu livro Cidades-Mortas e como foi o processo para a concepção desse que é seu livro de maior destaque?

Dêner B. Lopes: É uma distopia que se passa numa ditadura futurista no Rio de Janeiro de 2080, que tem como pano de fundo para os problemas sociais um reality show brutal. No livro consegui abordar da maneira que queria os assuntos do preconceito racial/social e o uso das drogas. Foi lançado em 2014, e me surpreendeu quando se tornou (junto com a continuação, “Cidades-Mortas: Aissur”) best-seller da editora na Bienal deste ano.

O processo de publicação não foi tão difícil, tendo em conta que o livro foi publicado por uma editora europeia. Em 5 meses após a assinatura do contrato Cidades-Mortas já estava em mãos, e vendendo para todo Brasil e Portugal. 

IndieOuSorte: Tanto Cidades-Mortas como Aissur são livros seus que saíram pela Chiado Editora. Fala ai, como é trabalhar com uma editora do Porte da Chiado, principalmente nesse momento em que muitos falam em crescimento do nosso mercado.

Dêner B. Lopes: Eu acompanhei o crescimento da Chiado no Brasil. Quando assinei contrato tratava todos os assuntos com os editores de Lisboa, e só depois os editores brasileiros foram contratados. A Chiado é uma editora competente no que faz, muito profissional, e quando pude conhecer grande parte da equipe na Bienal do Livro de São Paulo esse ano só consegui confirmar isso. Até o fundador da editora, Gonçalo Martins, mantém um contato próximo e atencioso com os autores. Inclusive, ele próprio me disse que acreditavam no meu potencial quando me disse que Aissur não teria custo algum por minha conta.

IndieOuSorte: Depois do auê da chegada da Amazon aqui no Brasil, muitos autores continuam recorrendo a ela para publicar seus e-books, porém, existe muita discussão na net sobre o e-book estar morrendo no Brasil. Qual sua opinião, como editor, quanto a isso?

Dêner B. Lopes: E-book é inegavelmente sucesso. Ainda há o tipo de leitor que prefere o livro impresso, mais pela não-adaptação na leitura. Muitos leitores recorrem aos e-books pela praticidade. Para mim, sou do tipo antigo, arquivo digital só leio para trabalho, isso quando não imprimo.

IndieOuSorte: Em contraponto a essa questão do e-book, tem crescido aqui o número de editoras que oferecem serviços de publicações pagos pelo autor. Você acha válido esse tipo de investimento para que é autor iniciante?

Dêner B. Lopes: Depende do tipo de proposta oferecida ao autor. Não sou contra, mas se o autor está pagando para publicar numa editora que publica dezenas de outros livros mensalmente ele tem que ter a ciência de que ele só irá se destacar por mérito próprio, com seu trabalho de divulgação. Não é sentar e esperar direitos autorais pingarem na conta bancária. Não sou contra o autor comprar exemplares para revenda, o bom é que ele ganha mais do que os diretos autorais para cada livro e ainda assim cria um vínculo com o leitor que se estende para lá de anos.

IndieOuSorte: Depois da ultima Bienal do livro de SP, muito se falou sobre o crescimento do gênero fantasia aqui no país, e que há um crescimento no mercado como um todo. Você concorda com isso?

Dêner B. Lopes: Fantasia e romance são cargos-chefe. Inegável. Porém, quando o mercado se vê saturado, cria-se um tipo de preconceito com tais livros. Mas ainda assim, parece que esse peso não se aplica tanto assim a esse gênero como se aplica nas distopias, livros eróticos, etc.

IndieOuSorte: Foi lançada recentemente a antologia 31 Contos Assombrados da qual você foi o organizador, pela Rouxinol Editora. Você acha que antologias funcionam bem como primeiro passo para um autor iniciante e qual o impacto delas para nosso mercado?

Dêner B. Lopes: É uma boa pedida. Você conhece novos autores, cria amizades, e consequentemente os leitores desses outros autores passam a conhecer o seu trabalho também, e assim vai. Sempre recomendo a autores novos começarem publicando em coletâneas.

IndieOuSorte: Recentemente você abriu sua própria editora, a Villa-Lobos. Queremos saber. Quando nasceu esse desejo de, além de escrever, editar e lançar trabalhos de outros escritores?

Dêner B. Lopes: Quando eu apenas ajudava a dona da minha antiga editora e começaram a me chamar de chefe, porque eu fazia praticamente tudo no quesito de edição. E depois de um desentendimento com a mesma, decidi que estava mais que na hora de fundar minha própria editora. E não é que a recepção está sendo maravilhosa?

IndieOuSorte: Fala para nós quais são os objetivos e linha editorial da Villa-Lobos.

Dêner B. Lopes: A Villa-Lobos se foca no momento em lançamento de coletâneas literárias, de todos os gêneros. Diferente de outras editoras, que cobram dos autores adquirir 15, 20 ou até mais exemplares para ter seu conto ou crônica publicados, a Villa-Lobos apenas dá a opção do autor adquirir 2 exemplares para a publicação. O autor recebe total auxílio da editora, trabalho de copydesk e consegue tirar todas suas dúvidas com apenas um e-mail.

Recentemente estamos trabalhando com alguns originais também, mas no momento somente de autores conhecidos da editora. O foco não é publicar muitos originais de uma vez, e sim aos poucos, para dar a devida atenção ao autor publicado.

IndieOuSorte: Inclusive, você está organizando mais uma antologia que será a primeira publicação da Villa-Lobos, a “Um Céu e Estrelas”. Conta para os leitores interessados, como eles podem fazer para participar da seleção para ter seu conto publicado.

Dêner B. Lopes: Possivelmente será meu último trabalho como organizador de antologias. Pretendo me focar mais na parte editorial daqui para frente. Para ser aceito, o autor terá de escrever um conto ou crônica que tenha como tema principal o amor, que o texto seja bem escrito, com uma história e profundidade que consigam cativar o leitor. O edital de publicação estará no fim da entrevista, se não me engano.

IndieOuSorte: Essa antologia trata de reunir contos ou crônicas que falem simplesmente de amor. Gostaríamos de saber o porque da escolha desse tema, e não, algo mais badalado, como fantasia, por exemplo?

Dêner B. Lopes: Fiz uma enquete no meu perfil pessoal no Facebook com as opções de temas. Das centenas de respostas, contos de amor e de fantasia ficaram tecnicamente empatados, e no final a primeira ganhou. Como eu disse, esses são os temas mais em alta hoje em dia, e não acredito que mude tão cedo.

IndieOuSorte: E os planos para o futuro, tanto para seus livros, ou sua editora. O que vem por ai?

Dêner B. Lopes: Crescer. O lado escritor fica um pouquinho para trás no momento. Quero voltar a escrever sem ter prazos, apenas por prazer. Mas sempre poderão contar com textos meus em antologias da Villa-Lobos.

IndieOuSorte: E pra finalizar, Qual a dica que você pode deixar para o autor iniciante?

Dêner B. Lopes: Como sempre digo, e sempre irei dizer: leia. Não leia para absorver somente a história. Leia para absorver a forma como o autor escreve, por que ele usa ponto-e-vírgula onde se poderia usar parênteses, por que ele usa aquela expressão toda vez em casos de grande importância, como ele sempre consegue finalizar um capítulo te deixando mais ansioso para terminar de ler... Ser escritor é assim. Um leitor demora de dois a três minutos para ler uma página. Eu por exemplo demoro o triplo de tempo.

SE você curtiu a entrevista, não esqueça de comentar. Siga O Dêner B. Lopes para acompanhar seu trabalho. Não esqueça de curtir a fanpage da Editora Villa-Lobos.

EDITAL DE PUBLICAÇÃO PARA A ANTOLOGIA "UM CÉU E ESTRELAS"

1. O conto ou crônica deve estar dentro do tema proposto, ou seja: sobre o amor, que o retratem tanto positiva ou negativamente. Esse deverá ser um dos temas centrais da história.

2. O autor deverá enviar o texto em um arquivo WORD, disponível para edição e justificado, contendo nome completo do autor, pseudônimo (se tiver) e uma minibiografia sucinta, assim como o e-mail para contato ao final. Arquivos em PDF ou quaisquer outros que não WORD não serão considerados.

3. O gênero da antologia é jovem-adulto. Palavras de baixo calão não serão permitidas nesta antologia. Se houver em algum texto, poderão ser excluídas na revisão.

4. Autores com menos de 18 anos poderão participar, e caso seu texto for aceito, deverá assinar o contrato juntamente com seus responsáveis legais.

5. O envio do conto ou crônica deverá ser feito através do e-mail editoravillalobos@hotmail.com.

6. O texto deverá ter ao máximo o tamanho de 7 (sete) mil caracteres com espaços. Caso o texto seja maior (até 15 mil caracteres), o autor se compromete a adquirir 1 exemplar excedente a cada 1 mil caracteres a mais do tamanho limite.

7. Caso o texto seja aceito, o autor acorda em adquirir 2 (dois) exemplares da antologia pelo valor unitário de R$ 39,90, ou parcelado em até duas vezes de R$ 49,90. Caso o autor queria adquirir mais exemplares para revenda ou promoções, cada cópia terá o valor promocional de R$ 19,90. Acima de 10 cópias, o autor terá 10% de desconto na compra.

8. Caso a coletânea atinja os 100 textos selecionados, sua edição será em capa dura, sem alteração de preço dos 2 exemplares obrigatórios.

9. Caso tenha alguma opinião/sugestão/crítica, favor encaminhar para o e-mail editoravillalobos@hotmail.com com o assunto devidamente preenchido.

Prazo de envio do conto: 3/10/2016 até 20/11/2016
Capa provisória: William M. Braga.